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domingo, 5 de julho de 2015

HÁ QUEM ME QUEIRA POESIA

"mas quero que este canto torto/feito faca/
corne a carne de vocês"*

Há quem me queira poesia
doce, suave, intocável.
Mas somos todos
todos, inclusive os intocáveis,
somos todos poesias.
Como o canto torto
como faca nordestina
também corto carnes
firo corações
rasgo falas
furo paredes
decepo sutilezas
despedaço suavidades
penetro doces.
Há quem me queira poesia
outra poesia, não a que sou
Há quem não me queira poesia.


Rio, 5 de julho de 2015 (1h e 14m)

*A palo Seco, Belchior

Um comentário:

Alfredo Rangel disse...

Jorge, meu comentário mais sincero encontra-se no meu almatua.
A poesia tua é sangue quente, fresco, que escorre das feridas.
De todas elas.